Recentemente li o livro "Christiane F. - 13 anos, drogada e prostituída" e senti um grande aperto no peito. Dois jornalistas contam, no livro, a história de uma garota que, aos 13 anos, entra para o mundo das drogas, se prostitue para conseguir dinheiro e é destituída dos cuidados familiares - não por opção dos parentes, mas pela falta de conhecimento de como lidar com a situação. Durante a leitura, não pude conter minha raiva àqueles que não acolhiam a garota, derramando lágrimas que molhavam as páginas e deixavam nelas minha marca de hipocrisia. Hipocrisia por saber que há, no mundo, milhares de Christianes à espera de serem tratadas ou simplesmente escutadas e nada fazer. Hipocrisia por sentir raiva de seus familiares quando eles, em seu desespero, ora contido, ora extravasado, tentavam - embora de maneira incoerente - afastá-la das drogas. Hipocrisia por ter vícios talvez não tão graves quanto os de Christiane, mas que ao mesmo tempo chafurdam minha vida na lama, e não ter 10% da vontade que essa garota teve para se libertar das drogas.
Enfim, é impossível não se apaixonar por essa garota que, em busca de liberdade, acaba presa em um destino que não fora traçado por ela. Mas, pelas drogas.
Leiam: "Christiane F. - 13 anos, drogada e prostituída" de Kai Herrmann e Horst Rieck.
Christiane F. Hoje é uma mulher de meia idade e ainda drogada.
ResponderExcluirRealmente ainda tem muita gente na mesma que ela por ae no mundo todo. A família não sabe ainda lidar com esses filho, a sociedade ainda é retrógada, as drogas ainda muito consumidas por jovens desprotegidos.
Não é porque escolhem experimentar que eles tem noção do que fazem. Adultos não saberiam exatamente, imaginem adolescente e pré-adolescentes, até mesmo crianças.
Christiane F. foi o retrato da realidade, muito diferente dos filmes sobre o assunto, onde de alguma forma, existe um final feliz.