domingo, 17 de outubro de 2010

Tragédia heróica e "marketeira"

Na virada do dia 12 para o dia 13 de outubro deste ano, o mundo pôde (na verdade, "pode", por causa da nova lei, mas prefiro assim) assistir ao resgate dos 33 mineiros que ficaram presos na mina San José, no Chile, por 69 dias. Acompanhamos o drama pelo qual aqueles homens passaram e choramos quando eles foram retirados da mina. Eles foram intitulados "heróis". Agora eu vos pergunto: por que eles receberam esse título de "heróis"? Eles fizeram o que tinha de ser feito. Sobreviveram, bravamente, aos 69 dias de clausura. Pronto. Heróis mesmo são os engenheiros, técnicos, e operários que trabalharam quase sem descanso para montar a parafernália a ser usada para retirar os mineiros de lá. Eles são heróis! E os jornais, revistas e programas de televisão mal os citaram. Só publicaram, de forma sensacionalista, o "heroísmo" dos pobres mineiros.
Além disso, teve gente - e muita - que se aproveitou dessa tragédia para transformá-la em propaganda política. O presidente chileno, Sebastián Piñera, mal saía de perto da mina quando o resgate começou a ser realizado. Afinal lá estavam milhares de jornalistas mostrando sua "caridade" ao mundo. O presidente boliviano, Evo Moralles, também marcou presença para cumprimentar o mineiro boliviano que ficou enclausurado.
É nojento quando vemos essas pessoas subirem em cima de histórias trágicas para se beneficiar. Parece uma tragicomédia grega. O riso só não é proferido em respeito às incontáveis lágrimas derramadas pelos homens - e mulheres - que sofreram durante todo o resgate. Mas, falando em português claro e de bom tom, que mundo bizarro!

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