No meu mundo nada me é proibido. Tenho a liberdade de ir e vir. Talvez isso me incomode. Esse poder que conquistei de escolher entre amarelo ou azul. Entre praia ou serra. É tarefa muito árdua para alguém que nunca teve a oportunidade de exercer o poder da escolha. Afinal, as coordenadas que me foram passadas ao longo da vida sempre foram seguidas a rigor, posto que minha opinião não era relevante.
Com o passar do tempo, percebi que as coordenadas que me foram dadas não eram para ser estritamente seguidas. Elas deveriam me guiar. Apenas isso. Contudo, essas inocentes guias se tornaram impetuosas obrigações - e proibições. Seguia tudo a pé da letra e nunca parei para perguntar: "Por que devo fazer isso?". Simplesmente fazia. E, então, me ceguei. Emudeci. Perdi-me dentro de meu próprio mundo. Não posso culpar apenas os que me fizeram passar por isso. Culpo-me com muito desgosto. Como pude ter sido conivente com a situação? Por que me calei quando deveria gritar? Por que fechei meus olhos quando mais precisei enxergar? Talvez por medo de desagradar alguém. Talvez por ter me acostumado com a estabilidade e a comodidade de não ter que optar.Enfim, todo esse marasmo quase patológico foi rompido. Agora, posso gritar. Consigo enxergar. Mas, o que gritar? Para onde olhar? Ainda não sei. Essa lição não me foi ensinada. O que sei é que a estabilidade foi extinta. Que reine a era da instabilidade, a era de não estar certo sobre quaisquer esferas da vida. Pois, nesse momento de inquietude, definirei minhas próprias coordenadas. Decidirei entre o azul ou o amarelo para, no futuro, não pestanejar. Nesse momento, minha vontade é de permanecer inquieto. Estabilizar a instabilidade. Nada mais me movimenta a não ser esse desejo.
To gostando Mau...continue assim para eu poder acordar todo dia com uma boa leitura!!! te amo..bjos sua prima Rê!
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