quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Você NÃO é mais importante que uma árvore.

O ser humano, com a Revolução Industrial em meados do século XVIII, começou sua alavancada à modernidade - e sua derrocada ao caos. Criamos máquinas modernas com o passar do tempo. Pensamos sempre em nosso bem-estar, nosso conforto, nosso, nosso, nosso. Não paramos um segundo para refletir que nossas ações interferiram e interferem diretamente na saúde do meio ambiente. E a saúde do meio ambiente é, sem dúvidas, a nossa saúde. A natureza nos concede alimentos, vestimento, remédios, perfumes, tudo. E o que nós concedemos a ela? Ingratidão, descaso, lixo. Podem me chamar de clichê. Mas você NÃO é mais importante que uma árvore. Pense bem. A árvore evita a erosão da terra. A árvore, com o processo de fotossíntese, renova o ar que respiramos. A árvore nos concede frutos. E você? O que você é capaz de dar a humanidade?
Como estamos vendo na televisão, nos jornais, nas revistas, a natureza começou a se revoltar. Acreditem, ela apenas começou. Com o aquecimento do planeta, mais chuvas hão de vir. Com mais chuvas, deveríamos ter mais árvores para evitar a erosão e o deslizamento de terras. Mas, onde foram parar as árvores? Talvez no seu quarto, na sua sala, no seu conforto. E o que é o conforto? Pelo que estamos vendo, não é nada confortável assistir aos noticiários que informam a morte de mais de 350 pessoas APENAS no Rio de Janeiro devido às chuvas. Agora, reflitam comigo. Será que 350 árvores não teriam impedido a morte de 350 pessoas? A gente já destruiu muito a natureza. Nada mais justo do que ela revidar, agora, à sua maneira.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bom, mudando COMPLETAMENTE o rumo do blog, publicarei um poema que fiz há uns 4 anos e hoje achei.

A verdade bate em minha porta
Recuso-me a abrir
Sua insistência me enlounquece
Procuro um lugar para fugir.

A verdade entra em minha casa
Recuso-me a recebê-la
Seu sorriso me amedronta
Não mais quero vê-la.

A verdade consome minha alma
Recuso-me a aceitá-la
Seu espelho em mim reflete
Já não sei como pará-la.

A verdade mostra-me a consequência
Recuso a negação
Sua face, agora, me acalma
A ela já não posso dizer não.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Dois minutos de eternidade

Dei um trago. Folheei o livro. Outro trago. O cigarro já não mais aguenta o vai e vem da minha boca ao cinzeiro. Faltam dois minutos para meia-noite. O isqueiro já começa a falhar depois dos quarenta e tantos cigarros fumados nessa noite. Um gole no conhaque mais vagabundo que eu já tomei. O sono se dispersa por dentro das letrinhas miúdas que cobrem as páginas amareladas deste velho livro. Um minuto para meia-noite. Em sessenta segundos eu devo pensar em tudo o que eu mais desejo para o ano que se desabrocharia. Cinquenta e dois segundos. Escuto gente gritando. Gente alcoolizada pela energia positiva que os toma no final do ano. O mendigo maltrapilho que tanto sofria, agora ri na esquina. Seu riso desconcertante me enlouquece. Quarenta e três segundos. Os fogos de artifício já dão início a um novo ano, no qual as pessoas acreditam que tudo será diferente. Que tudo será melhor. Bobagem! A puta da Rua Augusta que hoje chora emocionada pela esperança de um futuro melhor continuará dando para velhos barrigudos em busca de prazer carnal por quinze minutos. Trinta e um segundos. O velho tuberculoso que agora reza o terço inteiro pedindo a Deus pela sua saúde continuará enfrentando filas quilométricas para ser atendido no posto de saúde. Ouço famílias cantando a canção que inaugurará a felicidade - depois de um ano tendo migalhas de pão na mesa. Vinte segundos. Os rojões riem na cara da hipocrisia do final do ano. As crianças que agora pulam as sete ondinhas no mar mal sabem que tentarão pular os muros da cadeia daqui a nove ou dez anos. Onze segundos. Tudo continuará uma merda. Não prometi parar de fumar. Muito menos parar de beber. Sete segundos. Agonia. Frustração. O suor corre pelas minhas mãos. Três segundos. A morte é a única coisa que me passa pela cabeça. Dois segundos. Gritaria. Euforia. Um último trago no cigarro. Um segundo. Talvez o mais longo de minha vida. É ano novo! E agora, o que farei? Comemoro? Choro? Peço por um futuro melhor? Ao inferno o futuro! Não tive passado. Não tenho presente. Por que esperar algo do futuro? Meu cigarro continuará queimando. Meu conhaque continuará descendo pela minha garganta. As letrinhas do velho livro amarelado continuarão fixadas na minha retina. Minha vida não será como um ano que se desabrocha e passa pela eloquente esperança de melhora, até que o último rojão cesse a algazarra e a noite morra no tédio.