Um blog feito por um estudante de jornalismo que busca entreter e informar a sociedade virtual por meio de artigos sobre os mais variados temas.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Ser romântico está fora de moda?
Este ano conheci algumas pessoas muito bacanas. Envolvi-me com elas. Apaixonei-me. Na verdade, me apaixono com muita facilidade. Mas nunca por duas pessoas ao mesmo tempo, claro. E sou muito romântico e carinhoso. Mas cheguei à conclusão de que isso está fora de moda, e as pessoas não fazem mais questão de ficar com alguém romântico. Elas querem um cara babaca, estúpido, que cospe no chão e grita na hora H: "CARALHO, QUE TESÃO." Não sou desse tipo e, sinceramente, estou quase caindo em tentação e me entregando ao clichê dos relacionamentos. Estou pensando, seriamente, em nunca mais ligar para uma pessoa de quem eu goste só para dizer "Tenha um bom dia, amor."; ou então comprar um bombom serenata de amor e grudar nele um bilhetinho dizendo "Você me faz tão bem"; ou chamar a pessoa para ir ao cinema e ficar de mãos dadas e fazendo carinho em sua cabeça. Penso que agora eu devo ligar pra pessoa e dizer: "E AÍ, QUANDO VOU TE COMER?"; ou então comprar uma camisinha e entregar com um bilhetinho escrito: "MEU PAU TÁ DURO AGORA."; ou chamá-la pra ir ao cinema e fazer um oral no meio de todo mundo. Isso que as pessoas "modernas" estão querendo. Esse é o novo clichê. Eu sou raridade - ou melhor, sou estranho às pessoas. E então, me torno um "moderno"? Continuo com meu romantismo que pouco agrada nos dias de hoje? Não sei o que fazer. Um amigo já me disse para mesclar e ser um pouco de cada. Mas então eu estaria 50% completo. Não sei ser "moderno". Minha natureza não me permite. O que me resta, talvez, é encontrar minha metade por aí, mesmo que demore anos e anos. E que ela sorria quando lhe entregar um bombom; que ela me beije quando disser que está linda; que ela veja o amor em meus olhos, quando o meu coração lhe tocar.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Você NÃO é mais importante que uma árvore.
Como estamos vendo na televisão, nos jornais, nas revistas, a natureza começou a se revoltar. Acreditem, ela apenas começou. Com o aquecimento do planeta, mais chuvas hão de vir. Com mais chuvas, deveríamos ter mais árvores para evitar a erosão e o deslizamento de terras. Mas, onde foram parar as árvores? Talvez no seu quarto, na sua sala, no seu conforto. E o que é o conforto? Pelo que estamos vendo, não é nada confortável assistir aos noticiários que informam a morte de mais de 350 pessoas APENAS no Rio de Janeiro devido às chuvas. Agora, reflitam comigo. Será que 350 árvores não teriam impedido a morte de 350 pessoas? A gente já destruiu muito a natureza. Nada mais justo do que ela revidar, agora, à sua maneira.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
A verdade bate em minha porta
Recuso-me a abrir
Sua insistência me enlounquece
Procuro um lugar para fugir.
A verdade entra em minha casa
Recuso-me a recebê-la
Seu sorriso me amedronta
Não mais quero vê-la.
A verdade consome minha alma
Recuso-me a aceitá-la
Seu espelho em mim reflete
Já não sei como pará-la.
A verdade mostra-me a consequência
Recuso a negação
Sua face, agora, me acalma
A ela já não posso dizer não.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Dois minutos de eternidade
Dei um trago. Folheei o livro. Outro trago. O cigarro já não mais aguenta o vai e vem da minha boca ao cinzeiro. Faltam dois minutos para meia-noite. O isqueiro já começa a falhar depois dos quarenta e tantos cigarros fumados nessa noite. Um gole no conhaque mais vagabundo que eu já tomei. O sono se dispersa por dentro das letrinhas miúdas que cobrem as páginas amareladas deste velho livro. Um minuto para meia-noite. Em sessenta segundos eu devo pensar em tudo o que eu mais desejo para o ano que se desabrocharia. Cinquenta e dois segundos. Escuto gente gritando. Gente alcoolizada pela energia positiva que os toma no final do ano. O mendigo maltrapilho que tanto sofria, agora ri na esquina. Seu riso desconcertante me enlouquece. Quarenta e três segundos. Os fogos de artifício já dão início a um novo ano, no qual as pessoas acreditam que tudo será diferente. Que tudo será melhor. Bobagem! A puta da Rua Augusta que hoje chora emocionada pela esperança de um futuro melhor continuará dando para velhos barrigudos em busca de prazer carnal por quinze minutos. Trinta e um segundos. O velho tuberculoso que agora reza o terço inteiro pedindo a Deus pela sua saúde continuará enfrentando filas quilométricas para ser atendido no posto de saúde. Ouço famílias cantando a canção que inaugurará a felicidade - depois de um ano tendo migalhas de pão na mesa. Vinte segundos. Os rojões riem na cara da hipocrisia do final do ano. As crianças que agora pulam as sete ondinhas no mar mal sabem que tentarão pular os muros da cadeia daqui a nove ou dez anos. Onze segundos. Tudo continuará uma merda. Não prometi parar de fumar. Muito menos parar de beber. Sete segundos. Agonia. Frustração. O suor corre pelas minhas mãos. Três segundos. A morte é a única coisa que me passa pela cabeça. Dois segundos. Gritaria. Euforia. Um último trago no cigarro. Um segundo. Talvez o mais longo de minha vida. É ano novo! E agora, o que farei? Comemoro? Choro? Peço por um futuro melhor? Ao inferno o futuro! Não tive passado. Não tenho presente. Por que esperar algo do futuro? Meu cigarro continuará queimando. Meu conhaque continuará descendo pela minha garganta. As letrinhas do velho livro amarelado continuarão fixadas na minha retina. Minha vida não será como um ano que se desabrocha e passa pela eloquente esperança de melhora, até que o último rojão cesse a algazarra e a noite morra no tédio.